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quarta-feira, 11 de maio de 2011
DNA - Exodus – Together Forever DNA#4 - CAMILO ROCHA
O baixo é groovástico, o vocal cheio de soul, o batidão disco-funk é a cara do começo dos anos 80 e os efeitos dub também. Mas o que fica tatuado na cabeça de qualquer um que ouve esse som é aquela sequência de teclado.
Lançada em 1982, virou hino de Larry Levan no Paradise Garage e de outros clubes underground de Nova York.
É um dos clássicos que traz o toque do produtor Bob Blank, que teve seu trabalho compilado há pouco no álbum The Blank Generation – Blank Tapes NYC 1975-1987.
O Exodus lançou essa música apenas e juntou no estúdio figuras ligadas ao reggae como o vocalista/compositor Tinga Stewart e o produtor Errol Mattis.
“Together Forever” informou muitos dos primeiros produtores de house. Foi sampleada por Todd Terry (“Yeah Buddy”, Royal House) e Joey Negro (“Together Forever”, Raven Maize) no fim dos 80. Já na década de 90, Eddie Amador teve um mega-hit usando ela em sua “House Music”.
O hino do Exodus se recusa a morrer: reapareceu este ano editada por Pete Herbert e Dicky Trisco e em remix tech-house do alemão Tiger Stripes.
Ah sim, ano passado tinha sido a vez de Sandy Rivera e Andy Daniell.
Ouça e comente:
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quarta-feira, 4 de maio de 2011
DNA - Kasso – Walkman DNA#3
O genoma da música eletrônica está impregnado de italo-disco. O termo é solto: serve para classificar produções italianas eletrônicas da primeira metade dos anos 80 que podem vir em mil tonalidades. Algumas são mais bagaceiras, outras quase industriais, umas trazem refrões pop, outras são instrumentais viajantes.
O som italiano dessa época é fundamental para entender o começo da house e do techno: discos de caras como Alexander Robotnick, Gaz Nevada e Klein & MBO estavam entre os favoritos dos DJs de Chicago e Detroit.
A old school italiana é destaque hoje também: na onda nu disco, inspiração para artistas como Bottin, Metro Area e Rodion; e no indie-pop sintético de nomes como Crystal Castles, Glass Candy e Chromatics.
CLAUDIO SIMONETTI
Voltando aos tempos dourados do italo-disco, quero falar dum cara chamada Claudio Simonetti. Ele é brasileiro, nascido em São Paulo, em 1952. Simonetti estudou música em Roma e ficou morando na Itália.
Nos anos 70, foi tecladista da importante banda progressiva Goblin, conhecida por suas trilhas para o mestre do terror italiano Dario Argento, como Suspiria e Profondo Rosso (Prelúdio Para Matar).
A partir da virada da década de 80, Simonetti assinou uma série de hits para pista de dança em diversos projetos. Ao lado de Giancarlo Meo, rolaram alguns dos mais conhecidos: a disco-pop do Easy Going, a electro-disco do Capricorn e a elegância jazzy latina do Kasso.
“Walkman”, desse último projeto, foi uma das que mais fez barulho, com seu tecladinho cheio de malandragem (no lado B do single, Simonetti homenageia seu país-natal com “Brazilian Dancer”).
Quer ouvir num contexto perfeito? Está no Essential Mix que Greg Wilson fez para a BBC ano passado.
Mas ouça sozinha primeiro:
Kasso – Walkman
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quarta-feira, 27 de abril de 2011
DNA - Richie Havens – Going Back To My Roots DNA#2 - CAMILOP ROCHA
Voltando às raízes…”: o nome dessa faixa, uma celebração das origens de cada um, poderia bem ser o nome desta seção.
Richie Havens é roots demais, um cara com história pra contar! Pra se ter uma ideia, ele tocou em Woodstock, aquele com Jimi Hendrix e Janis Joplin, em 1969.
Nos anos 70, seguiu uma carreira estável, mas sem grandes estouros. Talvez por fazer um soul-rock que o deixava no meio do caminho entre dois públicos.
ACID HOUSE
Ironia do destino então que ele tenha sido responsável por uma faixa que pegou de jeito a primeira geração da acid house. “Going Back To My Roots”, gravada em 1980, foi resgatada por DJs na Inglaterra, Itália e Ibiza no fim da mesma década.
Culpa do piano arrepiante que abre a música. Apesar da idade, pôde ser transplantado intacto para um break eufórico de house, como fez o FPI Project na sua famosa versão de 1989.
"Going Back To My Roots” é daqueles bichos raros: uma cover que consegue superar um original que já era sensacional (de Lamont Dozier, compositor premium da Motown). Tem um clima afro-disco-funk, altamente energético e com emoção à flor da pele, graças à interpretação rasgada de Richie.
Outra versão boa (e bem diferente) da música foi gravada pelo Odyssey, em 1981.
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quarta-feira, 20 de abril de 2011
DNA - Simple Minds – Theme For Great Cities DNA#1 - CAMILO ROCHA
DNA, a nova seção do blog, é para ler e colecionar. Como o nome já entrega, a ideia é falar de músicas que moldaram a personalidade e as características dos sons do eixo dance music/groove/eletrônico/arredores. Vamos decifrar o código genético da coisa toda.
A seção será numerada para o caso de você querer compilar tudo e montar um playlist matador e abrangente do melhor de todas estas décadas de boa música. Olha que não é má ideia…
Pode ser anos 60 ou 90, de 1975 ou de 2002, techno, disco, funk, soul, experimental, dubstep, IDM, acid house, música de cinema, rock, jazz e MPBs…
Resolvi começar com um nome improvável: Simple Minds, que tocou em São Paulo na semana que passou.
Não iria nem amarrado ao show do Simple Minds que rolou nesta terça (17) em São Paulo. A banda ficou oficialmente chata a partir de meados dos anos 80, depois dos seus últimos hits legais: “Don’t You Forget About Me” e “Alive And Kicking”.
Digo “ficou”, porque antes não era. Não, o Simple Minds, desde seus primórdios no fim dos anos 70, fazia um synth-rock criativo e interessante, com influências de pós-punk, kraut-rock e Kraftwerk. Já tinha aqueles sobretons épicos, grandiosos, mas não soava pomposo e sim heróico.
“Theme For Great Cities” é do álbum Sister Feelings Call, de 1980. Seus synths foram sampleados em pelo menos um disco fenomenal: “The Real Life”, do Corporation of One, de 88. Também foram usados neste remix do Sunscreem.
No fim dos anos 90, “Theme…” foi remixada espetacularmente pelo Fila Brazilia.
Mas enfim, vamos ao DNA de tudo isso! Depois opine nos comentários.
Simple Minds – Theme For Great Cities
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Camilo Rocha é DJ e jornalista cultural há mais de 20 anos e passou por todas as festas, publicações e movimentos que importam, D-Edge e VoodooHop, Tim Festival, Skol Beats, Virada Cultural, SPFW, Rec Beat, Planeta Atlântida, Ceará Music e Universo Paralello. Hoje editor de música do portal Virgula, da Jovem Pan/UOL, colabora para as revistas Billboard, Rolling Stone, DJ Mag, Electro Mag e House Mag, além de manter o repercutido e comentado blog Bate-Estaca
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